Coleção: O Que Aprendi Com As Primaveras

“Certa tarde, um trecho de um texto da escritora Cecília Meireles veio ter comigo inesperadamente, em que ela discorria lindamente sobre como seu contato com a perda a ensinou a conhecer as relações entre o efêmero e o eterno.

Foi no intervalo entre o silêncio e a solidão que os livros ganharam espaço em sua vida e sua imaginação floresceu e criou raízes. Sua poesia e suas crônicas tratam desse lugar árido, macio e particular dos detalhes e dos sentimentos, são sensíveis e vão no pequeno para simbolizar as coisas grandes.

Cecília conta ter aprendido a sentir os seres da vida com sua avó, o que me recordou a mulher cujas férias de inverno eu passava em sua fazenda, observando as joaninhas e conversando com as plantas. Caminhando por aquele jardim senti essa mesma solidão que ela aborda e a imaginação crescer, o cheiro da vida entrar pelas narinas e me arrebatar de uma só vez, a energia para enfrentar todas as coisas que as primaveras mandavam e ensinavam vinha desse lugar mágico.

Esta coleção é um convite a cada um conhecer seu fragmentos em perspectiva com a natureza, a se deixar observar a lua, as flores, os desenhos geométricos das pedras, o sonho do céu em forma de nuvens, o planeta que surge na asa das borboletas. A conhecer o silêncio e a sensação de efemeridade que abre espaço para a poesia e a arte, para sentir o mundo e a si mesmo como inteiro e parcela de um todo chamado natureza.

Esta coleção é fruto do amor por duas mulheres que ensinaram a sentir, a avó de Cecília e a minha que, durante muito tempo, compartilhou seus jardins comigo, suas comidas gostosas, suas histórias e seu amor devoto pelo cheiro do mato e os bichos.”

Deborah R. Sousa

Diretora criativa do JcomP